sexta-feira, 12 de junho de 2009

identidade em mim, no outrém.

Quem se fez pessoa,
Logo se desfez, enfim,
Comigo já destoa.
Comigo, mas sem mim

Quem é o outro que se fez primeiro, protagonista das histórias periféricas, memórias satíricas, escárnio da lírica de um grito abafado.

Quem quês questiona,
De nãos faz sim.
Outros três magoa...
Outros, mas sem mim.

Quem é o figurante, que não o autor em camuflagem, prevendo um futuro lembrado, pelos sábios, antigos, nas palavras que puseram na rocha.

Quem triste actua?
Depressa eu vim!
Todos, do Sol à Lua,
Todos, mas sem mim.

Quem é o texto, forma e substância, desespero e ânsia, ao limite do desinteresse, da indiferença, na diferença, no singular mais plural de todos.

2 comentários:

Violetta disse...

"Os poetas são, como toda a gente sabe, seres da utopia , essa utopia sem a qual não há progresso".

Eugénio de Andrade

De utopias e filosofias constroi realidades...Gostei!

pode-s mudar disse...

Eu nem sequer gosto de escrever, Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida
E. Andrade