Galgaram cumes e sopés de montanhas, em passos hiperbólicos, mitologicamente divinos, divinamente mitológicos. Trouxeram as chuvas, e sopraram-nas para longe. Fizeram a terra crescer verde, erguer-se por uma vontade. A luz brilhou de uma nova forma. Escura, diria. Os fundos dos oceanos pareciam efémeros, e leves. E os desertos! Aqueles desertos, monotonamente perigosos e arrebatadamente purificadores. Eles marcaram ravinas nas montanhas, ditaram nuvens e trombas de água, cuidaram das plantas e cheiraram as flores, aquecendo-se ao sol, sonhando com os mares, deixando pegadas nas areias. Um dia, as neves tudo taparam. As cinzas sorveram os céus, engoliram a neve, e tudo rodopiou sem fim.
Eras vieram e foram; os anos nem sequer eram perceptíveis. Quando as neves derreteram, cinzentas, pardacentas, deixaram uma uniforme e fina camada de líquido a toda a volta do orbe, curiosamente cúbica. Já tinha nem relevos nem texturas. Nunca mais nada lá assentou raízes, cresceu, mudou.
Eras vieram e foram; os anos nem sequer eram perceptíveis. Quando as neves derreteram, cinzentas, pardacentas, deixaram uma uniforme e fina camada de líquido a toda a volta do orbe, curiosamente cúbica. Já tinha nem relevos nem texturas. Nunca mais nada lá assentou raízes, cresceu, mudou.
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