Cansei-me de escrever textos sobre o quão difícil era escrever textos. Preciso do exercício, preciso de negar o entorpecimento da alma. Que se tratem de conjuntos aleatórios de átomos, que calham no sentido! Espero que disso se tratem… As minhas teleologias da retroacção. Este texto (o blog) não será Branco. Não o pretenderá ser. O plano pessoal da satisfação da minha poiésis, da minha estética sempre tendeu para ser demasiado planificado. Pretensioso, acuso-o hoje, que me iluminei, com a negra luz do cepticismo e das mentiras do mundo. Já não sei se conseguiria que fosse branco. Ou pelo menos tão genuíno. Cada dia que passa torna-nos menos genuínos. Não julgo isto em termos da rectidão racional ou do “bem moral” dos seus efeitos. Apenas o enuncio, por necessidade empírica.
Isto é um rebento de blog que não quer ser blog. Blhah… não quer crescer para o ser. A cultura do blog é demasiado ampla e kitsch para ser controladamente apreciada, e o controlo da finitude é-lhe, do meu distorcido ponto de vista, necessário. Da apreciação, isto é. É esta uma das minhas obsessivas compulsões.
Já me apetece calar-me, e é só o primeiro momento. Que pequena monstruosa dor, a da pungente unidirecção de uma cultura mediada. Caio no meu primeiro lapso retórico, ao falhar no delével traço da minha argumentação. Sou o paradoxo que inevitavelmente imerge na fractura do meio que expõe. Sou o plebeu, o leigo que usa o veículo que repugna, em muito na mesma forma que todos os outros. Sou, assim, mais parecido com o ”nenhum nome”. Torno-me seu reflexo. Sou o bloguista que não quer ser. Este é o meu exercício, privadamente público, publicamente privado. O primeiro lapso retórico. Que seja o primeiro de muitos.
4 comentários:
Que seja mesmo o primeiro de muitos posts!
Eu cá farei os possíveis para acompanhar.
Saudações Daquele A Que Chamam Pedro de Lagos
pffff... o meu é melhor que o teu.
toma toma
(Boa sorte para o blog :D)
Branco branco.... Como as diáfanas tardes em que nada tínhamos mais que fazer senão constatar as nossas devassidões perante um Mundo outrora autêntico... Leve... leve como a nossa deturpada concepção de sociedade que, vê só, não se dignava a vislumbrar nem que fosse um resquício da pálida verdade que era o nosso blog... Branco.... branco...
Y-neh
obrigado, mas não quero boa sorte para este blog. quero que ele seja frequentado o mínimo possível, esquecido, e desejo-lhe o maior dos insucessos. dar-me-ia muito mais prazer.
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