quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

psicagogia de ti.

Apeteces-me.
O apetite é uma volatilidade da alma. Mas as razões da alma, essas são sólidas como o chão. Imiscuem-se em combinações improváveis (sempre improváveis), e agonizam a vontade, fazem-na sofrer. Então libertamos-nos de tudo aquilo que é perecivel, e agarramo-nos ao desejo, eterna origem de todo movimento.
Desejo. Como desejo aquilo que desejo, aquilo que anseio, no momento de ensejo. É uma leveza, como mão que acaricia a face, que sente os cabelos… mas que rapidamente se afasta, e nos deixa a cobiçar mais. Vem a inquietude.
Quando a alma perde a calma, … que alma?
Quando a alma perde a calma, o sangue fervilha, a mente exala sensações ausentes, como que libertando o referencial para um faro delicado. E começa a busca. É uma busca alheia a obstáculos. São-lhe meros pontos de passagem, entreténs do tempo que peca em se consumar. O consumo torna-se a fonte e o fim. O início e o vício. De tudo.
Apeteces-me. Fazes-me palpitar em emoção. Cada passo de distância, por mero contratempo, fere, angustia. Cada centímetro. Mas busco, sempre. Tento até ao limite do alento.
Tocar transcende qualquer reciprocidade de palavras. Por bonitas que sejam. O apetite é a volatilidade da alma, mas esta só se consuma nos corpos.
Corpos. São os portadores da sensação. Da química que perece explicação. Que assim seja.
Tocar transcende o próprio sentimento, por delével que lhe seja em comparação. Tocar, físico no físico, é a intensidade maior. Cheirar é a raridade do suspiro. Provar é a iguaria do prazer.
Apeteces-me. Apetece-me tocar-te, cheirar-te, provar-te, além do potencial de qualquer diálogo, por variado e excitante que possa ser. Basta-me a tua singularidade, única, minha. Apetece-me ser-te apetecido.
Guardo este grande apetite num pequeno frasco e dou-te em mão, para que não duvides da alma que partilho, e do corpo que espera.
Apeteces-me.

1 comentário:

Anónimo disse...

Acima de tudo...desejo para sempre desejar-te.