quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

dedada no vidro embaciado pela névoa de formas ainda pouco definidas, mas pacientes.

Gosto de entrelaçar dedos. Protuberâncias petulantes, apraz-me chamar a estes anexos atrevidos. Gosto de os entrelaçar.
Uso-os para apontar, profanar, prometer, diplomar, opor. Uso-os para atacar, defender, agradecer, acarinhar, escrever. Uso-os para tanta coisa.
O meu gosto em entrelaça-los, como quem diz que todos os puzzles têm solução, implica a intimidade das partes. Entrelaçar é tornar num só, especulo, no espectáculo da união dos corpos. Experimentem segurar as vossas mãos.
Também os há nos pezinhos, mas esses não foram feitos para obras de tal complexa natureza.
Dedos, delicados, podem ser deliciosos, ou impertinentes. Podem chamar ou despedir. Podem aprender as formas, podem criar as formas.
Dedos são diários dotados de identidade. As suas articulações são proporcionadas no número da vida. Os seus dígitos são únicos. Dedos são únicos.
Gosto de os entrelaçar, mão esquerda no bolso do casaco. Ou ao vento. Ou a segurar a bengala. Gosto de entrelaçar dedos contigo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Posso cegar e nunca mais ver o teu rosto. Posso perder a audição e nunca mais te ouvir sussurrar no meu ouvido. Posso até perder o olfato e não conseguir cheirar a tua pele ou o paladar e não mais saborear os teus lábios...mas o toque dos teus dedos...esse nunca o perderei.