domingo, 2 de agosto de 2009

para fora.

Estranhamente, hoje vou dormir com um enorme apetite de dizer coisas a pessoas. Desespero por tanto conter. Quero dizer a todas as pessoas de quem gosto que assim as sinto. Quero proclamar a atracção que sinto por algumas mulheres. A admiração que nutro por grandes homens. Quero segredar as paixões da minha vida, que insisto em manter para mim, por medo da enunciação, na fé de achar mais bonitas as coisas tácitas. Tenho algum medo de viver o risco. Não é redundância. É receio de não encontrar reciprocidade, no risco. Quero beijar o amor, gritar a raiva e chorar a mágoa. Quero dizer todas estas coisas, e, no entanto, não o faço, pela dicotomia de saber que existe um amanhã, que prefiro manter igual ao hoje. Porque os riscos têm um lado perigoso. E esse marca fortemente, na memória de toda e qualquer acção. Sou o bardo que brada um fado na estrada. Para dentro.

3 comentários:

Sm disse...

Um dia, um qualquer dia, vais sentir um grito dentro de ti que te vai puxar para o impulso, para falar sem pensar o que vais dizer, porque já o pensaste vezes sem conta. Contudo, quando chega esse dia?

Carolina disse...

É a razão para nunca comentar. A frustração de não se dizer nada que seja bom o suficiente. Antes o silêncio. Indubitavelmente mais doloroso, mas certamente mais confortável.

Unknown disse...

O grande problema de tanta gente é guardar. Por egoísmo, culpa, preconceito, compaixão, ou simplesmente medo. Se pensas no receio do amanhã, pensa também no que perdes a cada segundo que passa do hoje.