quarta-feira, 29 de abril de 2009

inspiração desinteressada.

Uma das inúmeras características da natureza humana, do seu metafísico sublime, miúdo sublime, é aquilo que descrevo como a sua anticronogenia.
O corpo envelhece, na fatídica biologia do eminente. Mas a mente, move-se pelo tempo, na conformidade do fulgor humano, não nas sensações ou entendimentos, mas nas epopeias pelos mares de regimes simbólicos. Se na face cansada nasce uma ruga, cabe ao singular decidir se rugará também a sua consciência. Cabe!, de uma maneira ou de outra, com ou sem controlo dos destinos.
A mudança é contratemporal se for orientada no sentido daquilo que ainda não houve. Aquilo que está por haver é uma mera ficção do passado, mas a coisa que ainda não houve... é para essa invisibilidade que a vista de ensejo ruma. Mira.
Também a actualização é um processo, bem mais comum, de mudança positiva. Não se aproxima do real, mas é a vontade de querer tocar a vanguarda da realidade. Desejos.
Porém, o ente individual não assim age a menos que tenha uma força que o mova, que compele, que agite a estrutura, para que nas rachas, nas rugas se refortaleça.
E assim, como que por distracção, encontrei a, fracamente concebida mas bem localizada, definição de amor. Amor humano. É a criação de tempo fora das linhas do mundo físico, já bem na beirinha da transcendência, mas sem a presunção de a tocar.

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