domingo, 1 de março de 2009

mãos.

Sinto alguma ferrugem nas articulações da mão direita. Falanges, falanginas e falangetas corrompidas pelo tempo, pela preguiça de evoluir, entram em artrose, e calcificam, por ordem da barreira da arte e do engenho. Nas letras que dela fogem, escapam, peca a proporção áurea. As unhas, pintei-as em cores alternadas, mas só na mão esquerda. A outra ficou intacta. Estão compridas, como quem quer rasgar visceralmente a folha escrita. As extremidades dos punhos estão enrugadas e cicatrizadas por anos de murros frustrados em paredes. Com a palma me esbofato, na esperança de acordar.

3 comentários:

Anónimo disse...

Diz antes, mãos enferrujadas pela audácia de quem as usa para realizar posts como este. Arte? Certamente. E se te angustia a preguiça de evoluir, então digo-te: arte é evolução; e é isso que tu fazes cada vez que colocas um digito neste blog!

Cumprimentos (manuscritamente digitalizados),

Rui Faria

Anónimo disse...

não é esbofateio, em vez de esbofato?

pode-s mudar disse...

parece-me óbvio que, se usei o vocábulo que usei, quer ele exista ou não, passa a existir. parece-me óbvio... eheh
obrigado pela atenção.